Presença De Mulheres No Mundo Dos Games Ainda Encontra Resistência

Presença de mulheres no mundo dos games ainda encontra resistência

Com as Mulheres ganhando mais destaque no universo gamer nos últimos anos, há quem pense que isso se deu há pouco tempo. Mas não é verdade: elas sempre estiveram por trás dos joysticks, celulares e computadores, embora não seja uma jornada fácil chegar a este ponto. Assédio e xingamentos nos chats durante as partidas ainda fazem parte da realidade das que jogam ou produzem conteúdo sobre jogos.

Elas são, inclusive, a maioria entre o número de jogadores no país. A última edição da Pesquisa Gamers Brasil, maior do gênero na América Latina, divulgada em abril, revela que 51% das pessoas que jogam videogame no país são mulheres. O número é similar ao das pesquisas realizadas nos anos anteriores. E, ao contrário também daquela percepção de que jogos são “coisa de adolescente”, a maioria dos jogadores são adultos, com 40% das pessoas com idade entre 20 e 30 anos.

Uma das principais equipes de e-sports do estado, a StormTiger, é comandada por uma mulher. O time surgido em 2018 em Brasília se mudou para Salvador em 2019 após uma fusão com uma equipe local e participa de competições de Free Fire, Fifa, Valorant e League of Legends. Atualmente, a CEO do time é Melanie Brasil, 22, que está à frente da equipe desde o ano passado.

Fã de videogames desde criança, lembra que sua primeira experiência com jogos foi com o antigo Mario World, do Super Nintendo. “De lá para cá, não parei mais”, conta. Conheceu o e-sports durante o curso de publicidade, quando foi apresentada ao cenário do e-sport competitivo por um amigo. E entrou para ficar. “Simplesmente me apaixonei por tudo. Estava precisando de um projeto para abraçar e o e-sport significou isso para mim”, afirma.


Conteúdo


Quem não está no cenário competitivo também está produzindo conteúdo sobre os jogos, apostando na força das lives. É o caso de Catarine Struck, 22, conhecida como Ovicat, uma das mais populares streamers locais. Além de streamer, ela é vice-presidente da equipe Vision há nove meses.

Também se iniciou no mundo dos games desde pequena, pegando gosto vendo o irmão varar madrugadas jogando Ragnarok, jogo online de RPG. Há três anos, acabou conhecendo os dois jogos que mais transmite atualmente, o League of Legends e o Call of Duty, dois dos mais populares. Ela até tentou ser pro-player, “mas não tinha a paciência necessária”, conta. Atualmente, também apresenta um podcast sobre as mulheres nos esportes eletrônicos no país.


Embora as mulheres sejam a maioria dentro do total de jogadores no Brasil, os homens são maioria entre as pessoas que se definem como gamers, de acordo com a PGB. Apesar de haver uma abertura maior, o cenário competitivo nacional, para Catarine, ainda é dominado pelos homens.


Não há a mesma oportunidade para as mulheres. A gente precisa lutar, fazer muito barulho para ser ouvida e se impor muito para conseguir nosso espaço. Ainda passamos muito para conseguir o mínimo. Não é algo natural”, afirma Melanie.

Para Catarine, ser uma mulher pro-player é mais difícil do que ser homem. “Se você for homem e jogar mal, você vai ser xingado por isso. Se você for mulher e jogar mal, irá ser xingada por ser mulher”, afirma.

Xingamentos

Um dos maiores problemas nesse universo é a toxicidade nos chats online durante as partidas, algo que até afasta algumas pessoas dos jogos. De xingamentos a casos de racismo, não é incomum encontrar casos pesados de ofensas durante os jogos, em todos os níveis. E quando se é mulher, esse tipo de problema é amplificado muitas vezes mais.

A partir do momento que se tem um nick (apelido) feminino dentro do game, nós nos tornamos alvo de assédio. Infelizmente, é algo intrínseco da sociedade”, afirma Melanie.

Já Catarine sentiu (e ainda sente) na pele episódios de assédio, machismo e ofensas quando se descobre que quem está por trás do seu nick é uma mulher durante os jogos. “Chegava a ponto de ter que derrubar a transmissão porque estava ficando algo muito tóxico”, relembra.


Catarine também conta episódios de ataques que vem sofrendo nas redes, de pessoas que criam perfis fakes com o nome dela envolvendo ofensas de cunho sexual: “Já teve até coisas relacionadas a estupro nessas ofensas. Mas sempre me impus e não vou deixar de me impor, quantas vezes for preciso. Não fico calada mesmo”.

Por conta dessas situações, muitas mulheres costumam usar nicks masculinos nos jogos. Catarine sabe de casos de mulheres que usam pronomes e falam com trejeitos masculinos para não serem descobertas.

Os homens frequentemente jogam com mulheres, mas não sabem. É uma questão complicada, e estamos tentando desconstruir isso. Mas ainda vai levar muito tempo”, conta Catarine.

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